Paciente com câncer deve retirar o glúten da sua dieta?

Muitos profissionais tem a conduta de tirar glúten do paciente com câncer. Mas será que realmente esta conduta deve ser para todo mundo? DEPENDE
Bem, é fato que o glúten é uma proteína de difícil digestão e o paciente com câncer que está fazendo quimioterapia ou realizou um procedimento cirúrgico no estômago ou intestino muitas vezes apresenta alterações gastrintestinais que é necessário orientações específicas para ajudar na recuperação principalmente do intestino. PORÉM, este tipo de orientação não pode ser generalizada e banalizada como se fosse uma receita de bolo. O Paciente com câncer passa por um tratamento bem complexo e que traz efeitos colaterais que podem alterar a sua ingestão alimentar, assim como o seu apetite. MAS, o que fazer com um paciente que está sem apetite, perdendo peso, e adora comer um pão quentinho com queijo? Será que neste momento, vale a pena retirar o glúten deste paciente? E se num dia frio, este paciente já tem hábito de tomar uma cevada quentinha no seu desjejum? E se este paciente não está aceitando nada devido a náusea e falta de apetite, mas ele é de família italiana e a sua memória o remete a comer uma macarronada feita pela “mama” ? E se o paciente tem o velho hábito de comer pizza aos domingos com toda a família no final do dia assitindo um filme e é um momento de reunião familiar? Exemplos citados aqui que são relatos verdadeiros de pacientes que já atendi. Muitas vezes como diz o ditato : “pimenta nos olhos dos outros é refresco” e muitos profissionais fazem condutas mecanicistas que costumo chamar de “copioterapia” e que não traz benefício nenhum para o paciente mas se colocar no lugar do outro faz toda a diferença em situaçoes assim.
Em alguns casos, a retirada do glúten pode ser feita de forma criteriosa, desde que o paciente tenha opções para substtuir no seu cardápio. Mais importante do que a remoção de alimentos com glúten, é manter o paciente em bom estado nutricional para continuar fazendo o tratamento, assim como existem outras estratégias que ajudam a recuperação intestinal como as fibras, prebióticos e até mesmo os probióticos em casos mais seletivos. Vale a reflexão!

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