05 Dicas para Xerostomia

A xerostomia ou boca seca é muito comum em paciente que realizam quimioterapia e radioterapia na região da cabeça e pescoço. É uma diminuição ou ausência da produção da saliva e pode acometer pacientes com outras patologias também. É uma situação que dificulta a ingestão e mastigação de alimentos sólidos devido às funções da saliva. Segue aqui algumas dicas para melhorar esta situação:
1. uso de saliva artificial;
2. Passar chumaço de gazes ou algodão molhados com água ou óleo de coco;
3. Beber mais água e outros líquidos para melhorar hidratação ;
4. Alterar a consistência da dieta para pastosa ou até líquida. Liquidificar mais os alimentos e usar mais preparações como sopa cremosa e vitaminas. Evitar comida secas e adicionar caldos nas preparações ;
5. Passar banha de cacau nos lábios várias vezes ao dia.
E o mais importante : informar ao seu médico para que ele possa encaminhá-lo a um dentista para orientar o uso da saliva e higiene da boca, assim como a um nutricionista para orientar a sua dieta de acordo com as suas necessidades para que você não perca peso. Nenhuma dica substitui uma consulta com o profissional capacitado.

Paciente com câncer deve retirar o glúten da sua dieta?

Muitos profissionais tem a conduta de tirar glúten do paciente com câncer. Mas será que realmente esta conduta deve ser para todo mundo? DEPENDE
Bem, é fato que o glúten é uma proteína de difícil digestão e o paciente com câncer que está fazendo quimioterapia ou realizou um procedimento cirúrgico no estômago ou intestino muitas vezes apresenta alterações gastrintestinais que é necessário orientações específicas para ajudar na recuperação principalmente do intestino. PORÉM, este tipo de orientação não pode ser generalizada e banalizada como se fosse uma receita de bolo. O Paciente com câncer passa por um tratamento bem complexo e que traz efeitos colaterais que podem alterar a sua ingestão alimentar, assim como o seu apetite. MAS, o que fazer com um paciente que está sem apetite, perdendo peso, e adora comer um pão quentinho com queijo? Será que neste momento, vale a pena retirar o glúten deste paciente? E se num dia frio, este paciente já tem hábito de tomar uma cevada quentinha no seu desjejum? E se este paciente não está aceitando nada devido a náusea e falta de apetite, mas ele é de família italiana e a sua memória o remete a comer uma macarronada feita pela “mama” ? E se o paciente tem o velho hábito de comer pizza aos domingos com toda a família no final do dia assitindo um filme e é um momento de reunião familiar? Exemplos citados aqui que são relatos verdadeiros de pacientes que já atendi. Muitas vezes como diz o ditato : “pimenta nos olhos dos outros é refresco” e muitos profissionais fazem condutas mecanicistas que costumo chamar de “copioterapia” e que não traz benefício nenhum para o paciente mas se colocar no lugar do outro faz toda a diferença em situaçoes assim.
Em alguns casos, a retirada do glúten pode ser feita de forma criteriosa, desde que o paciente tenha opções para substtuir no seu cardápio. Mais importante do que a remoção de alimentos com glúten, é manter o paciente em bom estado nutricional para continuar fazendo o tratamento, assim como existem outras estratégias que ajudam a recuperação intestinal como as fibras, prebióticos e até mesmo os probióticos em casos mais seletivos. Vale a reflexão!

Aprenda a ler os rótulos e fazer melhores escolhas!

Na vida moderna , a falta de tempo tem sido uma das maiores desculpas. Muitas pessoas vão ao supermercado com pressa e em tempos de crises, escolhem o produto mais barato sem saber que ingrediente tem e se pode prejudicar a sua saúde. Cada dia mais , novos produtos chegam ao mercado cheios de aditivos alimentares. Muitos aditivos que há 20 anos não eram usados. E o consumidor não tem a mínima idéia do que são e qual o impacto do consumo deles para a sua saúde. Percebe o quanto é importante aprender a ler os rótulos e saber o que você está levando para a sua casa para alimentar a sua família? Quanto mais informação você souber, mais chance você tem de escolher um produto melhor pra colocar no carrinho de supermercado 🛒 No início pode parecer difícil entender letras, números e nomes esquisitos, mas com o tempo você consegue e fará diferença nas suas escolhas. Pense nisso! Sua saúde e a da sua família agradece. 

Microondas causa Câncer?

NÃO HÁ EVIDÊNCIA CIENTÍFICA que afirme que microoondas causa câncer! Sempre me perguntam isso, mas apesar de algumas pessoas divulgarem isso de forma sensacionalista, não existe comprovação para tal afirmação. Muito mais perigoso do que o forno de microondas em si, é a comida processada e congelada que as pessoas compram e colocam no forno. E o aparelho leva a culpa. Eu não uso microondas porque prefiro usar forno e fogão e fazer preparações na forma “slow cook” com valor nutricional e mais saborosas, porque existem alguns trabalhos que mostram que as ondas produzidas pelo aparelho podem desestabilizar as moléculas dos alimentos e assim eles perderem seu valor nutricional. Existem outras opções de fornos elétricos pequenos que podem ser usados para esquentar a sua comida no trabalho por exemplo. Mais importante do que se preocupar com o microondas, as pessoas precisam se preocupar é com a qualidade da comida. Porque vários alimentos processados estão cheios de substâncias consideradas carcinogênicas como os conservantes nitritos, o corante caramelo IV nos refrigerantes, o benzoato em varias conservas, a carragena nos produtos lácteos, etc

Existe Relação da Vitamina D com Câncer?

Nos últimos anos, a vitamina D virou a queridinha da suplementação nos consultórios médicos e de nutricionistas. Mas será que há indicação para todo mundo? Bom, vou falar especificamente da relação de vitamina D com câncer. É fato que há vários anos , muitos pesquisadoes vem tentado demonstar a relação da deficiência de vitamina D com o surgimento de diversas doenças, devido a impostante ação da vitamina D em modular o sistema imunológico. Mas em realção a câncer, o que temos na literatura?
– Alguns estudos já mostram uma relação da deficiência de vitamina D com câncer de mama (principlamente mulheres pós menopausa e triplo negativo) e câncer de intestino. Nestes casos, a suplementaçao deve ser feita até mesmo para ajudar na prevenção de recidivas. PORÉM , não existe evidência desta relação com outros tipos de câncer porque ainda é preciso de mais estudos controlados, randomizados. 
Portanto, antes de sairmos prescrevendo Vitamina D pra todo mundo como receita de bolo, vamos estudar e ver que não necessariamente a vitamia D está relacionado com todos os tipo de câncer. Melhor do que suplementar vitamina D para todo mundo, é ajudar os pacientes a ter mudança de hábitos, melhorando seu estilo de vida pq aí sim ele estará ajudando a prevenir 35% de todos os tipos de câncer realcionados com alimentação.
Ref.: 
🔹https://doi.org/10.1016/j.jsbmb.2017.10.009
🔹Preventive Medicine 57 (2013) 753-769
🔹Ann Surg Oncol (2012) 19:2590–2599 DOI 10.1245/s10434-012-2297-3

Suplementação em Pacientes com câncer: Quando indicar?

O tratamento do paciente com câncer é muito complexo, e causa uma série de efeitos colaterais ao paciente que podem impactar na aceitação da sua dieta. Esses efeitos podem ser: náuseas, vômitos. diarréia, falta de apetite, alteração do paladar, dificuldade de engolir,prisão de ventre, azia, etc. Todos esses efeitos podem levar a uma baixa ingestão da dieta e como consequência, o paciente pode perder peso e até mesmo interromper o tratamento devido ao estado nutricional debilitado. Pensando nisso, diversos laboratórios produziram uma série de suplementos alimentares para ajudar nesta fase do tratamento. Caso o paciente em tratamento, comece a apresentar algum efeito que diminua o consumo alimentar, o nutricionista deve estar preparado para prescrever algum tipo de suplemento que possa ajudar o paciente a alcançar as suas necessidades. Vale lembrar que existem suplementos na forma de pós que pode enriquecer vitaminas e sucos por exemplo, assim como suplementos líquidos completos que garantem o consumo de todos os nutrientes para o paciente. É muito importante que durante o tratamento, o paciente tenha um acompanhamento nutricional e assim diminua a chance do seu tratamento ser interrompido. Vale lembrar que cápsulas de fitoterápicos, vitaminas e probióticos tem indicações restritas e não vão garantir aporte nutricional para estes pacientes.

Ácido Fólico e Câncer – Existe Relação?

O ácido Fólico, vitamina do complexo B também conhecida como B9, foi isolada em 1946 na folha de espinafre. A sua absorção pode variar de 40 a 70% e possui uma relação forte com a vitamin B12 devido às ações que elas fazem no corpo humano. Sua forma ativa no organismo humano após algumas reações e sob a ação da enzima “Metiltetrahidrofolato redutase” é a TETRAHIDROFOLATO.
O seu principal papel é ser doadora do grupo Metil (CH3) e é aí que começa a relação com a doença CÂNCER. Um dos processos de iniciação na formação de câncer é uma falha no processo chamado de Metilação de DNA, dependende desta doação de grupo metil para que ocorra um erro genético seguido de mutação. Indivíduos com deficiência de ácido fólico podem aumentar o risco para falha deste processo de metilação. O que muita gente não sabe é que um percentual grande da população tem polimorfismos genéticos que intereferem no metabolismo desta vitamina. Um estudo desenvolvido por Xu et al (Xu et al. AJCN 2007;85:1098-1102) mostrou a relação de polimorfismo genético desta vitamina aumentando risco de câncer de mama para 52% em mulheres positivas para polimorfismos e deficiência de B9. O que muitas pessoas também não sabem, é que o importante não é a dose exagerada desta vitamina, e sim o uso da forma já metilada como Metilfolato em doses baixas pode fazer um melhor efeito nestes casos.
Isso é Bioquímica, Biologia Molecular, Nutrigenética e Nutrigenômica. Portato meus queridos, procure um Nutricionista que estude , seja capacitado e te olhe com individualidade bioquímica. Para os meus colegas, quem quiser aprender , venha fazer o curso d ebioquímica ou o de câncer comigo. Prevenir ainda é o melhor remédio.

Fitoquímicos na Prevenção do câncer

Esta foto é um slide que está nas minhas aulas de câncer desde o dia que li (2004). Muita gente fala muito em carboidratos, proteínas e gorduras , mas não dão valor aos fitoquimicos presentes nos alimentos. Esta foto resume o trabalho de Dr. Liu R. Hai da Universidade de Cornell em Nova York, e fala sobre o poder destas substâncias que ao serem consumidas, possuem ações antioxidantes, anti-inflamatórias e anticâncer. E assim, são capazes de nos proteger contra diversas doenças. Onde elas estão ? Nas frutas, vegetais, grãos, sementes e ervas. Percebeu a importância de uma dieta equilibrada com um pouco de tudo? Pra isso, na dúvida, procure um nutricionista capacitado, coerente e com bom senso pra te ajudar!

Ref.: J. Nutr.-2004-Liu-3479S-85S

Cuidados Paliativos em Pacientes com câncer

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), Cuidado paliativo é uma abordagem que objetiva a melhora da qualidade de vida dos pacientes e seus familiares diante de uma doença que ameace a continuidade da vida por meio da prevenção e do alívio do sofrimento e de identificação, avaliação impecável e tratamento da dor e de outros sintomas de ordem física, psicossocial e espiritual. Esses cuidados devem ser iniciados ainda no momento do diagnóstico da doença, em conjunto com as terapêuticas capazes de modificar seu curso. A paliação ganha maior importância à medida que essas terapêuticas perdem sua efetividade. Dessa maneira, o término de uma terapia com proposta curativa não significa o final de um tratamento ativo, mas mudança no foco da intervenção.
A assistência em cuidados paliativos deve ser ativa, contínua, integral, humanizada e
interdisciplinar, priorizando o controle da dor, o conforto físico e emocional e o alívio dos sintomas e do sofrimento. Uma avaliação precoce e adequada é indispensável para a elaboração de um plano integral de cuidados, individualizado e adaptado a cada momento da evolução da doença (DOYLE et al., 2005). Um dos objetivos dos cuidados nessa fase é reduzir o impacto causado pela presença de sintomas, que, quando não controlados, influenciam negativamente a qualidade de vida, alterando as atividades cotidianas, a ingestão alimentar e o estado nutricional, além de prejudicar substancialmente as relações psicossociais e familiares (FUHRMAN; HERRMANN, 2006; LIS et al., 2012).
A nutrição possui papel preventivo, buscando assegurar as necessidades nutricionais na tentativa de preservar o peso e a composição corporal e retardar o desenvolvimento da caquexia. Além disso, auxilia o controle de sintomas e a manutenção da hidratação satisfatória e atua ressignificando o alimento, possibilitando a redução da ansiedade e o aumento da autoestima e do prazer (ACREMAN, 2009; BENARROZ; FAILLACE; BARBOSA, 2009).
Este texto acima faz parte do Consenso Brasieiro de Nutrição Oncológica do INCA.
Cuidados paliativos são condutas que precisam ser discutidas entre os profissionais de saúde visto que na atualidade, muitos pacientes nao são curados do câncer.

A influência da Fé no tratamento do paciente com câncer

Fé é uma palavra que pode ter muitos significados :
1. Firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem;
2. Crença em algo que não está ou não pode ser comprovado;
3. Qualidade do devoto religioso, crença na existência e no poder de Deus;
4. Sentimento de que algo é verdadeiroou vai acontecer;
5. Crédito , confiança.
Cerca de 80% da população brasileira acredita que sua fé e crença religiosa tem influência sobre suas decisões de saúde.
E os médicos e outros profissionais de saúde que tratam pacientes com câncer precisam aprender e valorizar a espiritualidade e conhecer todos os aspectos relevantes da religião de seus pacientes para não cometerem graves erros com suas atitudes e até mesmo com palavras. Desvalorizar a espiritualidade dos pacientes é o mesmo que abrir mão do recurso mais poderoso a favor da saúde dele e de sua adesão ao tratamento.
Eu trabalhei 18 anos atendendo pacientes oncológicos e digo com toda a certeza: ” a fé remove montanhas” . Vi muitos pacientes com uma força inabalável durante o tratamento que com certeza fez a diferença para a cura deles.
Ref.: Kaiser/Economist Survey Highlights Americans’ Views and Experiences with End-of-Life Care, With Comparisons to Residents of Italy, Japan and Brazil, 2017)